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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

QUAL A RELAÇÃO ENTRE FILOSOFIA E RELIGIÃO

Em primeiro lugar devemos partir da definição do que é filosofia. Etimologicamente o termo filosofia significa "amor a sabedoria". Ela conduz o homem a buscar repostas para as mais diversas dimensões da realidade, dimensões físicas e metafísicas. Na carta encíclica "fides et ratio" o saudoso papa João Paulo II evidencia a posição da Igreja frente a importância do conhecimento filosófico para a compreensão da fé: "A Igreja, por sua vez, não pode deixar de apreciar o esforço da razão na consecução de objectivos que tornem cada vez mais digna a existência pessoal. Na verdade, ela vê, na filosofia, o caminho para conhecer verdades fundamentais relativas à existência do homem. Ao mesmo tempo, considera a filosofia uma ajuda indispensável para aprofundar a compreensão da fé e comunicar a verdade do Evangelho a quantos não a conhecem ainda." Ao longo da História da Filosofia foram muitos os pensadores que buscaram refletir sobre os fenômenos religiosos, uns para criticá-los outors para evidenciarem a sua importância. Destaco por exemplo a frase do famoso Francis Bacon: "Um pouco de filosofia leva a mente humana para o ateísmo, mas a profundidade da filosofia leva o homem para a religião." Algo semelhante foi dito por Antoine Rivarol: "um pouco de filosofia nos afasta da religião; muita filosofia a ela nos conduz." Na Idade média a Filosofia era considerada a serva da Teologia e serviu de base para a Igreja entender a realidade da fé e o próprio mundo de maneira geral. Santo Anselmo dizia: "Natura est ratio" (A natureza é racional). Mesmo diante do processo de secularização promovido pela modernidade, onde muitos pensadores resolveram separar de uma vez por todas filosofia e religião, ou melhor usar da própria filosofia para criticar a religião, temos exemplos de diversos filósofos e cientistas que não vêem incompatibilidade entre filosofia e religião. O próprio Albert Einsten é um exemplo disso. Ele afirmava: "A ciência sem a religião é coxa, a religião sem a ciência é cega." O Código de Direito Canônico estabelece que: "Os estudos filosóficos e teológicos, organizados no próprio seminário, podem ser feitos sucessiva ou simultaneamente, de acordo com as diretrizes básicas para a formação sacerdotal; compreendam, ao menos seis anos completos, de tal modo que o tempo reservado às disciplinas filosóficas corresponda a dois anos completos, e o tempo reservado aos estudos teológicos, a quatro anos completos. (CDC, 1983,cân. 250)." Por tanto filosofia e religião são elementos que se complementam e se constituem como intresecamente ligados no processo de maturação humana.
Jair Rodrigues

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Perguntas e respostas rápidas


1. O que é julgar?
Julgar o outro, como fala Jesus, significa conceber idéias negativas em relação ao outro sem antes ter feito uma diligente análise dos fatos. “O homem vê a face, mas Deus olha o coração” (I Sm 16). O segundo ponto é espalhar tais concepções para os outros, isso acarreta mais culpabilidade, principalmente quando a intenção da pessoa é exatamente denegrir o próximo. Mas isso não significa dizer que não devemos agir profeticamente na denúncia das coisas erradas. Precisamos denunciar quando preciso, porém com o intuito de ajudar a(s) pessoa(s) a mudar.


2. Qual a diferença entre o comunismo e à organização social das primeiras comunidades cristãs?
Infelizmente muitos pessoas acham que os primeiros cristãos eram comunistas, mas isso não passa de um grande anacronismo, pois o modelo de sociedade comunista só vai ser pensado no século XIX principalmente por Marx e Engels. O comunismo ensina que o que deve ser coletivo são os “meios de produção” e não os bens individuais das pessoas, enquanto os primeiros cristãos “repartiam seus bens com alegria”, estavam atentos às necessidades materiais das pessoas da comunidade, movidos não pela obrigatoriedade, mas pela mensagem caritativa de Cristo. O comunismo ensina que o Estado deve ser laico, os primeiros cristãos sabiam que as atitudes dos governantes deveriam ser pautadas pela palavra de Deus. O comunismo é essencialmente materialista. Os primeiros cristãos valorizavam muito mais as aspirações do espírito (cf carta a Diogneto, séc. II). Assim percebe-se que, por estes pequenos exemplos, a vivência dos primeiros cristãos era muito diferente do comunismo.


3. A origem da família está ligada intrinsecamente a propriedade privada?
Para nós católicos a família é uma instituição sagrada e querida por Deus. Ela não encontra sua razão existencial na propriedade privada, mas no amor, que faz o homem e a mulher terem a dignidade de serem imagem e semelhança de Deus. A propriedade privada e a consciência da mesma já é uma característica de uma organização social mais complexa. No Egito por exemplo, existiam os nomos (conjunto de famílias) em Israel as tribos, etc. Porém devemos saber que estas organizações antigas não deram origem à família, mas foram significativamente influenciadas pelas necessidades subsistenciais das famílias.


4. Por que Jesus chamou Herodes de “raposa”?
Esta passagem está em Lucas 13,32 e mostra a resposta de Jesus diante da pressão dos fariseus pedindo para Jesus parar com seu ministério, pois Herodes queria matá-lo. A expressão: “raposa” indica uma pessoa esperta, mas que fere e maltrata os outros, é uma esperteza maléfica. Isso mostra que Jesus também estava atento à realidade política de sua época e sabia responder à altura quando alguns governantes, como Herodes, queriam desviá-lo da missão.

5. Qual relação existe dos cristãos com a realidade política?
A própria bíblia fala de política. Desde o Antigo Testamento quando os reis de Israel eram sagrados, com a missão de ouvirem e seguirem a voz dos profetas, que falavam em nome de Deus (I Sm 8). As pessoas queriam líderes que fossem tementes a Deus e responsáveis para com as necessidades do povo. No Novo Testamento percebemos que Jesus estava muito atento às questões sociais e políticas de sua época. Ele não foi contra a política: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21). Durante muito tempo a Igreja esteve ligada ao Estado. Desde a época de Constantino. Podemos citar as referências do código Teodosiano no final do século IV, o testemunho de Clóvis e sua esposa, Pepino, o Império Carolíngio, etc. Hoje a Igreja instiga os fiéis a não deixarem de lado essa dimensão social tão importante que é a política, por isso orienta os fiéis através da Doutrina Social, de cartas papais e tantos documentos episcopais, além das homilias e reflexões diversas sobre o assunto.


6. Quais passagens bíblicas evidenciam a liderança de Pedro sobre o colégio dos apóstolos?
Pedro foi chamado por Jesus para ser um “pescador de homens” e também de forma especial para liderar a comunidade apostólica. Identificamos isso através das seguintes citações:
Mt 16, 18-20
Jo 21, 15-17
Atos 2, 14-41
Atos 4, 8-18
Obs: Existem outras, porém estas recebem um destaque especial.


7. O caráter libertador é uma exigência do cristianismo? E por que muitos cristãos o desprezam?
Sim. Deus muitas vezes se apresentou ao povo como libertador (cf Ex 3). De fato ele é o Deus que nos liberta, mas não só das mazelas sociais, muito mais que isso. Não podemos cair num reducionismo. Deus nos ama e liberta, mas principalmente dos nossos pecados. Sabemos disso principalmente através de Jesus (Javé salva), “porque ele salvará o seu povo de seus pecados” (cf Mt 1,21). São Paulo ainda nos diz: “É para que sejam homens livres que Cristo vos libertou”. (Gl 5,1). Em Jesus Deus revela plenamente a sua ação libertadora e esta libertação não acontece só no campo social, mas em todas as dimensões da nossa vida. Muitos não assumem esta libertação em sua vida pelos mais diversos motivos, mas podemos sublinhar a rejeição da prática da palavra, o que implica na própria rejeição a Cristo. Seu projeto é sério: “quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á.” E o próprio Senhor diz: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo.” (Ap 3,20). É preciso assumirmos essa libertação em nossa vida hoje.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

"Guardar domingos e dias de festa"


Desde o Antigo Testamento encontramos citações bíblicas que falam da importância de reservarmos uma dia para o Senhor. Percebemos um destaque todo especial em guardar o sábado. Essa era uma lei levada muito a sério pelos judeus. Assim:

“Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso. o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou.” (Ex 20, 9-11).

Percebemos que no Novo Testamento Jesus também dedicava o sábado ao seu Pai. Basta conferir Lucas 4. Porém ele percebia que havia uma rigorosidade exagerada em relação ao cumprimento dessa lei. A partir daí compreendemos suas palavras: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado” (Mc 2, 27).
Com a ressurreição de Cristo o “primeiro dia da semana” assume um significado todo especial, por isso muitos cristãos se reuniam para a “fração do pão” neste dia. (cf. At 20,7). Como o cristianismo em Israel nasceu fortemente ligado ao judaísmo, o descanso sabático foi inicialmente preservado pelos cristãos. No grande concílio do séc. I no chamado Concílio de Jerusalém, Tiago (sucessor de Pedro na liderança da comunidade de Jerusalém) intervém em favor do cumprimento de alguns preceitos judaicos por parte dos cristãos que vinham do judaísmo. Nesse sentido entendemos porque muitas passagens do Novo Testamento mostram atividades dos cristãos parecidas com as dos judeus.
Com o passar do tempo o significado do domingo para os cristãos foi sendo bastante refletido e foi ganhando mais importância do que o costume judaico de guardar o sábado. Até que Constantino, imperador romano, em 325 reconhece o domingo como feriado oficial (Henrique Cristiano: 1997). Infelizmente muitos, erroneamente, afirmam que foi Constantino quem obrigou os fiéis a guardarem o domingo. Sabemos que na verdade não foi bem assim. Essa valorização do domingo já era presente na prática dos primeiros cristãos, como vimos anteriormente. Os romanos, com quem os primeiros cristãos tiveram muito contato, tinham o costume de relacionar os dias da semana com os astros e o domingo era o “dia do sol”. Isso também ajudou para que os cristãos cristianizassem tal costume, celebrando neste dia o dia do sol maior, da luz de todos os homens, que é Jesus.
Hoje a Igreja ensina piamente que devemos guardar domingos e dias de festa. Porém este “guardar” vai mais além do que muita gente pensa. Muitos acham que guardar significa unicamente descansar. Mas a Igreja nos ensina que nos domingos e os dias santos devemos dedicar um tempo maior aos familiares e a Deus através da participação na vida litúrgica da comunidade, sobretudo da celebração eucarística. Assim nos ensina o Catecismo da Igreja católica:
§2177 A celebração dominical do Dia e da Eucaristia do Senhor está no coração da vida da Igreja. "O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o Mistério Pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como dia de festa de preceito por excelência."
"Devem ser guardados igualmente o dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Epifania, da Ascensão e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, de Santa Maria, Mãe de Deus, de sua Imaculada Conceição e Assunção, de São José, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e, por fim, de Todos os Santos."
§1343 Era sobretudo "no primeiro dia da semana", isto é, no domingo, o dia da Ressurreição de Jesus, que os cristãos se reuniam "para partir o pão" (At 20,7). Desde aqueles tempos até os nossos dias, a celebração da Eucaristia perpetuou-se, de sorte que hoje a encontramos em toda parte na Igreja, com a mesma estrutura fundamental. Ela continua sendo o centro da vida da Igreja.

sábado, 6 de setembro de 2008

Palavra de Deus e palavra do homem


Ouvimos muitos discursos e ensinamentos ao longo de nossa vida. Diversos nos tocam, marcam profundamente nossos conceitos. Políticos que apresentam suas propostas, professores que encantam por sua sabedoria, apresentadores de programas, palestrantes, jornalistas, pregadores, padres, e tantos outros. Suas palavras têm muito força na sociedade. Mas que lugar ocupa a palavra de Deus em nossa vida?
Sem dúvida toda e qualquer palavra que seja para o desenvolvimento do ser humano na sua integralidade faz uma conexão com os ensinamentos bíblicos, porém precisamos constantemente alimentar nossa fé bebendo diretamente da fonte, que é a bíblia. Como diz numa canção: “ouvirei a palavra dos homens, mas seguir eu só sigo a palavra de Deus.”
A palavra do homem só encontra sentido e vitalidade quando caminha junto com a vontade de Deus. A bíblia mesmo nos garante que: “Toda a escritura é inspirada por Deus, para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça.” (II tm 3, 16). E quando dizemos que a bíblia foi inspirada por Deus queremos dizer que o homem a escreveu, mas não por sua própria conta, mas contando com o auxílio do Espírito Santo, por mais que existam passagens que nos deixam inquietos, sabemos que tudo que está lá, tem um significado especial para nossa vida.
Fiquemos atentos ao que os “Moisés e Elias” que existem em nosso tempo nos comunicam e peçamos ao Senhor discernimento para seguirmos seus verdadeiros desígnios.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O Espírito Santo intercede por nós com "gemidos inefáveis" (Rm 8, 26)

Desde o momento em que os apóstolos tiveram um contato maior com Jesus que eles sentiram a necessidade de estarem em constante oração. Com base nas palavras de Jesus percebem que precisam orar com fé e por isso dizem: “Senhor aumenta a nossa fé”. Mas em outro momento também reconhecem que precisam saber orar, pois acreditavam que oravam erroneamente. Não sabemos como eram suas orações pessoais, mas Jesus lhes ensina a rezar o Pai-Nosso (Mt 6). Nesse sentido São Paulo também reconhecia que as pessoas não sabiam o que pedir e nem como pedir, logicamente hoje não é diferente. Nós enquanto seres humanos imperfeitos não sabemos, por nós mesmos como nos comunicar com a fonte de toda a perfeição: Deus. Porém com vinda de Cristo Deus se revela de forma definitiva ao homem e Jesus promete o “paráclito” (consolador), pois ele sim sabe o que devemos pedir e como pedir. Por isso São Paulo ensina que o Espírito intercede por nós com “gemidos inefáveis”. Claro que são Paulo usa uma linguagem simbólica. Gemer é uma atitude própria dos animais principalmente quando sentem dores. Logicamente São Paulo usa uma linguagem humana para especificar uma realidade não-humana: O Espírito Santo. Geme aquele que sofre com algo e de forma inefável quer dizer que é algo encantador e não se explica com palavras. Misteriosamente a mediação do Espírito Santo torna a nossa humilde oração agradável aos ouvidos de Deus. Por isso devemos sempre começar nossas orações invocando a ação do pai, do filho e do Espírito Santo.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O batismo das Igrejas Evangélicas é válido?

O código de direito canônico ensina que o batismo de algumas Igrejas evangélicas é válido. Por que o rito essencial do batismo é a utilização da água e a invocação da santíssima trindade. Assim as Igrejas que acreditam na Trindade e invocam o Deus trino para batizar, utilizando também da água têm um batismo reconhecido pela Igreja Católica. Segue as palavras do Código de Direito Canônico a respeito:

869 § 2. Aqueles que foram batizados em comunidade eclesial não´católica não devem ser batizados sob condição, a não ser que, examinada a matéria e a forma das palavras usadas no batismo conferido, e atendendo´se à intenção do batizado adulto e do ministro que o batizou, haja séria razão para duvidar da validade do batismo.

NOTA: O § 2 conserva a presunção de validade do batismo conferido em comunidades acatólicas, reafirmada pelo no. 95 do novo Diretório Ecumênico. No Brasil, para complementar o primeiro Diretório, foi feita uma pesquisa pelo Secretariado Nacional de Teologia, sobre o modo de conferir o batismo nas comunidades acatólicas atuantes em nosso país. Os resultados dessa pesquisa, complementados posteriormente, foram incluídos no verbete ´´Batismo´´ do Guia Ecumênico (Col. Estudos da CNBB, n. 21). Lá se conclui o seguinte:

A) Diversas Igrejas batizam, sem dúvida, validamente; por esta razão, um cristão batizado numa delas não pode ser normalmente rebatizado, nem sequer sob condição. Essas Igrejas são: a) Igrejas Orientais (´´Ortodoxas´´, que não estão em comunhão plena com a Igreja católico´romana, das quais, pelo menos, seis se encontram presentes no Brasil); b) Igreja vétero´católica; c) Igreja Episcopal do Brasil (´´Anglicanos´´); d) Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB); e) Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB); f) Igreja Metodista.

B) Há diversas Igrejas nas quais, embora não se justifique nenhuma reserva quanto ao rito batismal prescrito, contudo devido à concepção teológica que têm do batismo ´ p. ex., que o batismo não justifica e, por isso, não é tão necessário ´, alguns de seus pastores, segundo parece, não manifestam sempre urgência em batizar seus fiéis ou em seguir exatamente o rito batismal prescrito: também nesses casos, quando há garantias de que a pessoa foi batizada segundo o rito prescrito por essas Igrejas, não se pode rebatizar, nem sob condição. Essas Igrejas são: a) Igrejas presbiterianas; b) Igrejas batistas; c) Igrejas congregacionistas; d) Igrejas adventistas; e) a maioria das Igrejas pentecostais (Assembléia de Deus, Congregação Cristã do Brasil, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Deus é Amor, Igreja Evangélica Pentecostal ´´O Brasil para Cristo´´); f) Exército da Salvação (este grupo não costuma batizar, mas quando o faz, realiza´o de modo válido quanto ao rito).

C) Há Igrejas de cujo batismo se pode prudentemente duvidar e, por essa razão, requer´se, como norma geral, a administração de um novo batismo, sob condição. Essas Igrejas são: a) Igreja Pentecostal Unida do Brasil (esta Igreja batiza apenas ´´em nome do Senhor Jesus´´, e não em nome da SS. Trindade); b) ´´Igrejas Brasileiras´´ (embora não se possa levantar nenhuma objeção quanto à matéria ou à forma empregadas pelas ´´Igrejas Brasileiras´´, contudo, pode´se e deve´se duvidar da intenção de seus ministros; cf. Comunicado Mensal da CNBB, setembro de 1973, p. 1227, c, n. 4; cf. também, no ´Guia Ecumênico´, o verbete ´Brasileiras, Igrejas´); c) Mórmons (negam a divindade de Cristo, no sentido autêntico e, conseqüentemente, o seu papel redentor).

D) Com certeza, batizam invalidamente: a) Testemunhas de Jeová (negam a fé na Trindade); b) Ciência Cristã (o rito que pratica, sob o nome de batismo, tem matéria e forma certamente inválidas. Algo semelhante se pode dizer de certos ritos que, sob o nome de batismo, são praticados por alguns grupos religiosos não´cristãos, como a Umbanda).

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Católicos adoram imagens?


A palavra idolatria é de origem grega “latria” (adoração), neste caso idolatria quer dizer: adoração de ídolos. Nós veneramos as imagens. Venerar também vem do grego “dulia” e significa respeitar. A bíblia considera como pecado a adoração de imagens (Ex 20,4), como faziam as outras religiões da época. Como exemplo pode-se citar as diversas representações do baalismo. Na concepção israelita Deus não pode ser representado, pois ninguém jamais o viu. Assim toda e qualquer representação de Deus está errada. Além disso, os israelitas em determinados momentos cedem à influência de outras religiões e tentam inventar seus próprios deuses, assim Moisés condena suas atitudes: “Aproximando-se do acampamento, viu o bezerro e as danças. Sua cólera se inflamou, arrojou de suas mãos as tábuas e quebrou-as ao pé da montanha.” (Ex 32, 19). Porém o próprio Deus em Êxodo 25 manda Moisés fazer imagens de dois querubins. Dessa forma a Igreja entende que confeccionar imagens para aumentar a mística de nossa espiritualidade não consiste em pecado.
Erroneamente os evangélicos acusam os católicos de Idólatras, porque, segundo eles, existem católicos que adoram imagens. Em primeiro lugar ser católico é seguir os preceitos da Igreja. Não posso dizer que sou católico se não me esforço para fazer o que a Igreja pede, logo se Igreja prega que não devemos adorar as imagens, os católicos que fazem isso deixam de ser católicos autênticos. Pois esta não é uma atitude essencialmente católica. Alguns questionam: “já que Deus mandou fazer uma serpente de bronze (num 21,8), mas o povo começou a adorá-la e ele mandou quebrá-la, por que a Igreja não manda também quebrar as suas imagens, uma vez que muitos católicos a adoram?” E respondo: A Igreja não vai acabar com as imagens porque não se sente idólatra. Quando numa família os filhos assistem programas errados na televisão, os pais não quebram a televisão, mas tentam educar a opção dos filhos. Assim a atitude da Igreja não é de “quebrar as imagens”, mas de orientar os fiéis para um correto uso delas. Por isso é preciso investir na catequese e a Igreja, desde muito tempo tem se dedicado a isso.

Pergunta: é por causa do demônio que vivemos no mundo tantas injustiças?


"Satanás ou o Diabo, bem como os demais demônios, são anjos decaídos por terem se recusado livremente a servir a Deus a seu desígnio. Sua opção contra Deus é definitiva. Eles tentam associar o homem à sua revolta contra Deus." (CIC 414).

Não podemos atribuir todas as ações maléficas do homem ao demônio, pois Deus nos criou livres para seguirmos ou não a sua vontade. O demônio tem apenas o poder de nos influenciar, mas se, com o auxílio da graça de Deus, resistimos à sua vontade estaremos isentos de pecado. São Paulo assim nos ensina a respeito:


“Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela.” (I cor 10, 13).


Dessa forma o homem que cede à tentação, também tem uma significativa parcela de culpa. Até mesmo Jesus foi tentado, mas com Jejum e oração venceu (Mt 4). Assim também nós, unidos a Cristo podemos vencer.


Ademais a construção de um mundo melhor depende da cooperação de todos e a começar por cada um, sob a graça de Deus. Nesse sentido só há uma forma de termos uma sociedade mais justa: seguindo os princípios evangélicos, que estão enraizados no coração de cada pessoa humana.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Um olhar ético sobre o desenvolvimento científico e tecnológico


A Igreja hoje tem buscado refletir cada vez mais sobre o desenvolvimento técnico-científico, que vem se manifestando num ritmo bastante acelerado. O grande problema surge quando cientistas, médicos, técnicos e a população de um modo geral, admitem como legítimas práticas que ferem a dignidade da pessoa humana. O homem e o seu desenvolvimento integral, enquanto pessoa e ser social é que deve ser o grande beneficiado com todos os “avanços” da modernidade. Nesse sentido assim se expressa o Doutrina Social da Igreja:

“A revolução científico-tecnológica que marcou os derradeiros séculos deve ser acompanhada, segundo a doutrina social, de princípios éticos que garantam a dignidade inviolável do ser humano. Este, como já vimos, é o fim de todo e qualquer progresso. A técnica é simplesmente meio e, como tal, deve submeter-se à realização integral da pessoa humana...” (Temas da Doutrina Social da Igreja –CNBB, pág. 33)


Muitos, com concepções meramente tecnicistas sobre o homem, têm colocado excessiva confiança nas produções humanas e chegam até mesmo a negar a ação de Deus. Para estes vale tudo pelo “progresso”, pela “ciência” pela “medicina”. O importante é avançar. E nos vem, a partir daí um questionamento: até que ponto atentar contra a vida de outrem ou à sua dignidade pode ser considerado como avanço? “Nem tudo que é tecnicamente possível é eticamente aceitável.” Toda ciência verdadeira vem de Deus e sendo assim é boa e como Deus quer o bem de todos, ela tem este objetivo específico: promover o bem de todos.
Sabemos que Deus chamou o homem a ser um colaborador com ele, mas tal colaboração só tem sentido na medida em que promove uma vida mais digna para todos. O homem não é maior que Deus, por isso deve reconhecer os seus limites neste processo de colaboração. A engenharia genética pode levar hoje o homem a não reconhecer o seu verdadeiro papel como criatura de Deus. A vida produzida nos laboratórios contradizem a grandeza e a beleza da vida humana gestada no seio da relação familiar. Frei Moser, assistente da CNBB para assuntos de bioética comenta:


“Convenhamos que tudo isto é difícil de ser compreendido e nos deixa realmente confusos. Mais difícil ainda é admitir a possibilidade de se criar vida artificial, com a capacidade de auto- sustentação e reprodução. Sempre ouvimos dizer que só Deus é o Criador de tudo. Será que agora precisamos admitir que o homem também seria capaz de criar algo a partir do nada? Não é bem assim. Em primeiro lugar porque estamos ainda tratando de bactérias, organismos super simples; e no caso em questão estamos falando de uma bactéria chamada mycoplasma genitalium, cujo genoma foi mapeado, estudado e desmontado, para ser recomposto com outras propriedades. Fazendo uma comparação com o mundo da informática se poderia dizer que foi preparado um software (programa) para uma bactéria cumprir uma tarefa específica, mas até aqui ainda não se sabe como ativar este programa. E como observa o professor de engenharia biomédica de Boston, Jim Collins, a ciência ainda está longe de entender o que é a vida e o que a comanda.”


Lembremos das palavras de Jesus: “Eu vim para que TODOS tenham vida e a tenham em abundância.” (Jo 10, 10).

terça-feira, 24 de junho de 2008

Por que o nome de Deus não é Jeová?

O nome Jeová é uma forma tardia e errônea do termo “Yahweh”. Na língua Hebraica no Antigo testamento não havia vogais. As vogais só foram introduzidas pelos massoretas no século VIII d.C. Por isso o nome de Deus na língua original é formado pelo tetragrama: YHWH. Além disso, era tido como impronunciável. Os Judeus nem ousavam tentar pronunciar, principalmente a partir do exílio da babilônia no ano 587/6 a.C. Os Israelitas resolveram substituir esse nome por “Adonay” que em hebraico significa: Senhor. Arbitrariamente os rabinos após o século VIII d.C colocaram no tetragrama as vogais: EOA, transformando em YEHOWAH (Jeová). Esse termo também foi adotado por algumas correntes do protestantismo no século XVI. Para tornar o tetragrama pronunciável há registros de que alguns cristãos incluíram as vogais AE, resultando em Javé. Porém, quem estuda hebraico sabe que era impossível o nome de Deus ser Jeová, pois como foi citado anteriormente, no tempo em que a bíblia foi escrita a língua hebraica ainda não possuía nenhuma vogal!!!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Perguntas sobre a cultura judaica no Antigo Testamento


1. Por que a bíblia diz que os sacerdotes israelitas que contraiam alguma deficiência não podiam mais oferecer sacrifícios? (Lv 21, 21)

O critério fundamental no Antigo Testamento para a eleição de um sacerdote era a pureza e, antes do exílio da babilônia (587), a pertença à tribo de Levi. A concepção de pureza assumia um duplo significado: perfeição física, identificada como retribuição de Deus perante a chamada pureza ritual e isenção de pecados graves. E a descendência da pessoa, sendo considerada legítima quando proveniente de linhagem judaica. No judaísmo bíblico a doença é sempre vista como castigo de Deus perante o pecado e a impureza. Dessa forma percebe-se a forte presença da Teologia da Retribuição, onde Deus é concebido como um Juiz que pune mandando o mal para os que lhe desobedecem, tal visão é quebrada no Novo Testamento principalmente com Jesus e também com São Paulo, que falam da Teologia da Graça, onde Deus ama e perdoa o pecador. E não é por que uma pessoa contraiu uma doença e/ou deficiência física que ela é impura, muito menos se deve pensar que foi Deus quem as mandou, pois de Deus só vêm coisas boas. Isto só vai ser bem esclarecido com Jesus. Assim, mesmo os judeus do Antigo Testamento atribuindo a Deus a rejeição de um sacerdote acometido de determinadas deficiências, sabe-se que este era um pensamento exclusivamente humano e vai ser superado no Novo Testamento. Porém está na bíblia para mostrar a ação educadora de Deus no processo de revelação. Lembre-se: “A bíblia é a palavra do Deus do povo na linguagem do povo de Deus.”

2. Por que no Antigo Testamento, as pessoas que tocavam os cadáveres eram consideradas impuras?

Em determinados momentos da história do povo Israel as pessoas tinham a idéia de que os cadáveres eram matérias impuras e como a forma mais direta de transmissão da impureza era através do toque, quem tocasse um cadáver também se tornava impuro e essa lei também se estendia ao toque de cadáveres de animais impuros: “Se alguém tocar, por inadvertência, uma coisa impura, como o cadáver de um animal impuro, de uma fera ou de um réptil impuro, ficará manchado e culpado.” (Lv 5, 2). Os judeus muitas vezes associavam determinadas características biológicas dos animais à impureza, como o processo de ruminação, alguns que tinham a unha fendida, etc. Isso faz parte da cultura religiosa deles e sendo assim não estamos obrigados a seguir como ensinamento de Deus para nós. Provavelmente estas concepções foram sendo incrementadas no judaísmo por influência das outras religiões. Essa lógica vai ser quebrada no Novo Testamento, basta observar as palavras de São Paulo: “Pois tudo o que Deus criou é bom e nada há de reprovável, quando se usa com ação de graças.” (I Tm 4,4).

sexta-feira, 23 de maio de 2008

A importância da Igreja Católica na Idade Média

Infelizmente muitas pessoas hoje têm uma imagem bastante distorcida do verdadeiro papel da Igreja Católica na Idade Média. Tal imagem é fruto de uma concepção unilateral do medievo, através da qual não se abre espaço para uma investigação histórica séria desse período, livre de quaisquer preconceitos e/ou dogmatismos.
A Idade média, ao contrário do que se pensa, não foi um período de “trevas”, mas de singular importância na origem e no desenvolvimento da civilização ocidental. Inicia-se com as invasões dos bárbaros no final do século V. Nesse tempo a Igreja Católica já tinha um grande espaço na sociedade e era a única instituição que tinha condições suficientes de sobreviver em meio à desagregação do império romano do ocidente.
Os povos bárbaros tinham muitos costumes diferentes entre si e a Europa ficou como que um mosaico colorido com culturas bem diversificadas. Nesse sentido a Igreja, no processo de catequização dos bárbaros era quem favorecia uma identidade cultural comum entre tais povos, construindo as bases da civilização ocidental. Muitos papas ganharam muitos prestígios entre os reis, que na sua grande maioria se tornaram cristãos e doava terras à Igreja. Assim a Igreja se tornava uma instituição ainda mais forte e que detinha poderes espirituais e temporais.
Nesse tempo muitas pessoas e ordens católicas salvaguardaram a identidade ocidental. Nomes como os de Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Santo Anselmo, São Francisco de Assis, São Patrício, São Leão Magno, São Gregório Magno, São Bento, São Columbano, Santo Odilon, São Nilo, São João Gualberto, São Romualdo, São João Gualberto, Santo Henrique e tantos outros, são sinais vivos da atuação de Deus por intermédio da Igreja junto à sociedade medieval. Além disso, os mosteiros eram lugares que guardavam não só a espiritualidade monástica, mas também muitos escritos da antiguidade clássica.
No período final das invasões bárbaras (por volta de 1000 d.C.) a Igreja passou por um período muito difícil, pois alguns reis, visando o fortalecimento da sua autoridade receberam o direito de elegerem bispos por sua própria conta, temos então um período onde muitos membros da hierarquia da Igreja não tinham uma devida preparação para assumirem sua missão, por isso muitas atrocidades foram cometidas, porém nem isso veio a destruir a Igreja, pois foi o próprio Jesus quem disse: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16).
A Igreja, diferentemente do que muitos falam também se dedicou à ciência, embora limitada pelas condições históricas de cada tempo. Muitos padres foram grandes cientistas. Por exemplo, o Pe. Nicholas Steno hoje é considerado o “pai da geologia”. Praticamente o fundador da egiptologia foi o padre Athanasius Keicher. O Pe. Giambattista Riccioli foi pioneiro na medida da taxa de aceleração de um corpo em queda livre. Os Jesuítas se dedicavam tanto a estudos ligados à sismologia que tal ciência ganhou o apelido de “a ciência dos jesuítas”.
Com tudo isso se pode observar que a Igreja católica é alvo de muitas calúnias e interpretações erradas de sua história. Evidentemente pelo fato da Igreja ser feita de homens santos e pecadores, muitas pessoas ligadas à hierarquia ou não cometeram muitas atrocidades, porém devemos saber que existem muitos inimigos dela que propagam fatos tendenciosos e distorcidos da sua história. Assim não devemos negar a grande importância que teve a Igreja Católica desenvolvimento da civilização ocidental.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A formação do povo de Israel

Com este vídeo você poderá acompanhar explicações sobre como se formou o povo de Israel. Bom estudo!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Existem as almas sabidas e entendidas?

Igreja não fala na existência das almas vaqueiras, sabidas e entendidas. Elas fazem parte da cultura popular e estão inseridas nas longas listas de devoções que as pessoas têm, sem uma oficial aprovação eclesiástica. Gilbraz Aragão assim se expressa em seu artigo “religiosidade popular” (In: TAVARES, S. (Org.) INCULTURAÇÃO DA FÉ. Petrópolis: Vozes, 2001, p. 239-257)

“A maioria da população, conservando elementos da tradição antiga, reinterpretou o catolicismo romano... O núcleo é a devoção aos santos, não somente os canonizados, também as denominações locais e familiares (crianças assassinadas) e santos anônimos (almas vaqueiras ou benditas).”

Nesse sentido essas devoções devem ser acompanhadas para que não entrem em contrariedade com princípios da fé católica. Até nenhum católico está obrigado em acreditar na existência de tais almas.

As almas do purgatório podem interceder por nós?

A Igreja ensina que o purgatório é um estado de purificação e para lá vão os que se esforçaram muito para realizarem a vontade de Deus. Nesse sentido as almas do purgatório, após passarem pela purificação, irão para o céu. Assim se expressa o Catecismo da Igreja Católica:
“Aqueles que morrem na graça e na amizade de Deus, mas imperfeitamente purificados, estão certos da sua salvação eterna, todavia sofrem uma purificação após a morte, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu.” (CIC parágrafo 1030).

O catecismo também deixa claro que nós devemos rezar pelas almas do purgatório e que elas também intercedem por nós quando as invocamos (Obs.: Não confundir invocar: contar com o auxílio e evocar: chamar para perto de si).

“A nossa oração por eles [no Purgatório] pode não somente ajudá-los, mas também torna eficaz a sua intercessão por nós”. (CIC, § 958).

Muitos teólogos importantes como São Roberto Berlarmino, o papa Clemente XI , etc. Pode-se destacar também as palavras do saudoso João Paulo II: “... Igreja do Céu, Igreja da Terra e Igreja do Purgatório estão misteriosamente unidas nesta cooperação com Cristo para reconciliar o mundo com Deus.”(Reconciliatio et poenitentia, 12).
Portanto, podemos sim contar com a intercessão das almas do purgatório!